01/12/2016

No AC, médicos inspirados em padre atendem mais de 1,8 mil gratuitamente

Por | - 18:31

Paolino Baldassari morreu em abril deste ano em Rio Branco. Religioso atendia comunidades ribeirinhas no interior do Acre.

01/12/2016 19h05 - Atualizado em 01/12/2016 19h05

*Por Aline Nascimento e Janine Brasil*

*Do G1 AC*

Padre Paolino Baldassari passou 35 anos atendendo comunidades ribeirinhas (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)

Desde a morte do padre Paolino Baldassari, há sete meses, um grupo de profissionais de saúde faz atendimentos gratuitos repetindo o legado deixado pelo reigioso. Na última sexta-feira de cada mês, eles seguem para comunidades ribeirinhas de Sena Madureira, interior do Acre, e atendem gratuitamente os moradores desses locais. Os trabalhos, em 2016, foram encerrados nesta quarta-feira (30) com uma grande missa. Nesse período foram realizados mais de 1,8 mil atendimentos.

Uma das coordenadoras do projeto, a enfermeira Lúcia Carlos, explica que a principal preocupação de Baldassari antes de morrer era como iam ficar as pessoas que dependiam dos atendimentos que ele fazia. Ele não queria deixar as comunidades onde o atendimento médico é escasso desassistidas. A preocupação do religioso inspirou o grupo de médicos a continuar o trabalho voluntário.

"Com a morte dele, a doutora Márcia Vasconcelos, a Rossana e o doutor Osvaldo Leal formaram um grupo de dez médicos. Eles atendem na faixa de 200 a 300 pessoas [por ação], fazendo os atendimentos todo mês. Caso identifiquem que a pessoa precisa de retorno com algum especialista, na volta levam um", detalhou a enfermeira Lúcia, que também é coordenadora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Rio Branco (Samu).

O grupo iniciou os atendimentos em maio, um mês após a morte do religioso. Em comboio, médicos pediatras, infectologista, dermatologista, cardiologista, ginecologista, fisioterapeutas  e enfermeiros se reunem toda última quarta de cada mês para atender os moradores das comunidades ribeirinhas. Do total de atendimentos feitos este ano, ao menos 144 precisaram de encaminhamento para especialistas.

A enfermeira lembra com carinho os últimos anos de vida do padre. A dedicação e amor pelo povo ribeirinho deram a Baldassari o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre (Ufac).

"Cuidamos do padre Paolino nos últimos três anos de vida dele. Foi uma equipe de três médicos que cuidava dele e ficou até o último momento. Antes de morrer, ele manifestava muito o desejo de que a gente atendesse a população da zona rural no lugar dele, que foi aquilo que ele fez por 35 anos na floresta, às margens do Rio Iaco", relembrou.

Estrutura e logística do grupo
O grupo é coordenado pelos médicos Osvaldo Leal, Márcia Vasconcelos, Rossana, pela enfermeira Lúcia Carlos e pelos freis Moisés e Zezinho. A equipe atende ao menos 250 pessoas por mês de diferentes comunidades ao longo do Rio Iaco. Os trabalhos devem retornar em fevereiro de 2017.

A enfermeira conta que a primeira equipe chega no dia anterior aos atendimentos para preparar tudo. Uma segunda equipe chega às 8h para começar os trabalhos. Lúcia salienta que nenhum plantão nas unidades em que os profissionais são lotados fica desassistido por causa dos trabalhos no interior. Os médicos geralmente estão de folga ou acabando de deixar os plantões.

"São médicos fisioterapeutas, enfermeiros e os freis da Ordem dos Servos de Maria. Os freis montam toda a logística, arrumam o salão paroquial. Os médicos vão por conta própria nos seus carros pessoais. Eles ainda doam recursos para fazer o almoço e levamos até a cozinheira", comentou.

Conhecimento
Baldassari, um dos párocos mais conhecidos do estado, morreu em abril deste ano após ficar quase duas semanas internado em Rio Branco. Além de líder religioso, o padre era conhecido por fazer consultas médicas nas comunidades ribeirinhas da região. O enterro do religioso reuniu milhares de fiéis na Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Sena Madureira. Baldassari viveu cerca de 50 anos no interior do Acre.

Seus conhecimentos da floresta e tratamentos com ervas eram considerados eficientes e mesmo após sua morte, segundo os voluntários, o religioso continua a ensinar até os profissionais experientes.

Fonte:G1ac

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