04/02/2017

Com cheia histórica no Acre, homem pesca no quintal de casa e lucra

Por | - 11:59


Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, vive maior enchente registrada na história. ‘Foi uma benção para mim’, diz homem que passou a vender peixes.

04/02/2017

Por Adelcimar Carvalho

Helenízio Coelho diz ter lucrado aproximadamente R$ 600 com venda de peixes pescados no quintal de casa (Foto: Adelcimar Carvalho/G1)
A cheia histórica do Rio Juruá, no interior do Acre, tem causado muitos transtornos à população de Cruzeiro do Sul. O diarista Helenízio Coelho, de 60 anos, porém, resolveu transformar o problema em vantagem. Com a casa, no bairro Miritizal, atingida pelas águas, ele passou a pescar no quintal e aumentar a renda comercializando os peixes que apanha.

"Estamos aproveitando a cheia para garantir uma boa renda. O trabalho está difícil para todos, mas Deus é tão bom que me trouxe uma boa renda com os peixes que estou pescando. Estamos há cinco dias pescando e já faturei uma média de R$ 600. Para que está com a casa tomada pela água está bom demais", afirma.


O quadro, contudo, poderia ser diferente. Logo quando a água começou a subir, agentes da Defesa Civil foram até o lar da família para retirá-los. “A situação da cheia foi uma benção para mim. O pessoal veio aqui para a gente sair de casa e não aceitamos. Minha família perdeu algumas coisas que foram molhadas, mas graças a Deus estamos vencendo essa batalha", afirma.

Dados da cheia

Neste sábado (4), o nível do Rio Juruá baixou de 14,22 metros para 14,19 metros. O índice, porém, ainda está acima da cota de transbordo, de 13 metros, e do maior nível já registrado em uma enchente do manancial anteriormente, 14,18 metros, em 1995.

A enchente já afeta 3.552 pessoas. Segundo o Corpo de Bombeiros, estão desabrigadas 97 famílias e 707 estão desalojadas, ou seja, em casa de parentes ou amigos.

Para vistoriar a situação, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, e o secretário de Defesa Civil, Renato Newton Ramlow, cumpriram agenda no interior do Acre na sexta-feira (3). Eles percorreram de helicóptero as regiões afetadas pelas águas.

A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) reconheceu o estado de situação de emergência em portaria publicada nesta sexta no Diário Oficial da União (DOU). O decreto foi assinado pelo prefeito Ilderlei Cordeiro (PMDB-AC) no último dia 30, visando conseguir apoio do governo federal no atendimento às famílias.
Barbalho afirmou que, com o reconhecimento da situação de emergência, o governo federal disponibilizou um montante de quase R$ 4 milhões para ações emergenciais, com cestas básicas, kits de higiene e colchonetes. "São recursos para este momento de sofrimento para minimizar as dificuldades e trazer tranquilidade às famílias", falou.

O ministro acrescentou que mais verba deve ser liberada para ajudar no atendimento das áreas atingidas. Além disso, salientou que as outras cidades acreanas, que também enfrentam enchentes - Rodrigues Alves e Tarauacá - também devem passar por homologação dos decretos de emergência.

Três cidades em situação de emergência
Também banhada pelo Rio Juruá, Rodrigues Alves também decretou estado de emergência devido à maior enchente registrada nos últimos 22 anos. O decreto foi publicado também nesta sexta. O prefeito da cidade, Sebastião Correia, justificou que "diversas comunidades rurais estão sendo atingidas pela inundação, deixando centenas de residências inundadas".

Tarauacá foi a primeira cidade acreana a decretar a situação de emergência ainda na terça-feira (31), devido às cheias dos rios Tarauacá e Muru. O documento, assinado pela prefeita Marilete Vitorino (PSD-AC), foi publicado na quarta (1°) do Diário Oficial do Estado (DOE).

O Rio Tarauacá, que banha a cidade, continua acima da cota de transbordo (9,50 metros), de acordo os bombeiros. Na manhã desta sexta, a medição apontou que as águas estão em 9,65 metros. O rio Muri não é monitorado.

Do site G1 para o site alerta acre

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