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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Baleia Azul no Acre: Líderes de jogo mandam menina de 11 anos envenenar crianças


JOÃO RENATO JÁCOME

Uma menina de 11 anos foi flagrada pela mãe participando do jogo da “Baleia Azul”, um jogo que vem deixando vítimas em diversos países. Entre as 50 provas que os participantes precisam fazer, destacam-se os cortes pelo corpo, ingestão de medicamentos de uso controlado e até uma brincadeira com a vida, obrigando os participantes à tentativa de suicídio.

Como o caso está sendo investigado sigilosamente pelas polícias Civil e Federal, os nomes das envolvidas serão mantidos em sigilo, inclusive o da mãe, que conversou com exclusividade aoac24horas e relatou detalhes de como descobriu que a filha estava participando do game que ganhou as páginas policiais em todos os continentes.



Segundo a mãe, a menina não confirmou no primeiro momento que estava participando da brincadeira. “Imediatamente, liguei para a avó e determinei que pagassem o telefone ela. Quando eu olhei tinha fotos, vídeos e os grupo no face. Depois ela foi se abrindo e contou por alto. Foi quando procurei a delegacia. É uma situação que não desejo a ninguém, não mesmo”, conta.

Após procurar a polícia, a delegada que atendeu a ocorrência gerada pela mãe apreendeu o celular para investigar quem seriam os chefes da brincadeira no Acre. A investigação ocorre em parceria com polícias judiciárias de outros estados do país. Segundo a menina, as provas eram feitas sob ameaça constante contra a família.

“Ela me disse que eles ameaçavam o tempo todo que me matariam. Diziam que sabia o endereço, que sabia quem eu era, e que viriam atrás caso ela deixasse a brincadeira no meio. Uma criança, claro, fica com medo. Disseram para ela dar bombons envenenados aos colegas, às crianças. Só que quando ela me contou isso, eu já tomei providências. Temos que descobrir quem são essas pessoas, esses bandidos que estão usando nossos filhos”, afirma.

Mas foi após ler uma reportagem veiculada pelo ac24horas, na semana passada, que a mãe começou a observar o comportamento da filha. “Ela estava sempre querendo usar capaz de frio. Eu já estava achando estranho. Até comentei com a tia, para que observasse isso. E ela não estava doente, estava com medo das ameaças, mas agora isso acabou”, completa a mãe, de 34 anos.

O que chama ainda mais a atenção nessa história é a disposição desses adolescentes em participar do jogo que, publicamente, tem resultados negativos. Essa explicação quem dá é a psicóloga clínica Karoline Brilhante, que trabalha diretamente com esse público. Ela faz um chamamento aos pais e pede eu aja mais observação e atenção deles aos filhos. Para a especialista, o diálogo é a melhor forma de se descobrir o que se passa na cabeça do filho.

“Os pais são essenciais nessas horas. Além de chefes da casa, o pai e a mãe precisam ser amigos dos filhos. Hoje, as crianças preferem procurar respostas na internet, que perguntar ao próprio pai. Isso não é saudável. Essa relação entre pais e filhos é extremamente importante no combate a esse tipo de jogo. Ao invés de buscar repostas no Baleia Azul, essa criança vai conversar com os pais, tem que ter essa relação”, diz a psicóloga.

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