07/08/2017

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Família que vive nas proximidades de unidade prisional diz ser prejudicada por bloqueadores de celulares

De acordo com depoimentos, o alcance do bloqueio se estende além dos muros do presídio.

Por | - 18:27
Anunciados desde maio, os bloqueadores de telecomunicações nas unidades prisionais do Acre estão oficialmente em ação, segundo informações da assessoria da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). A medida visa impedir a comunicação entre criminosos dentro e fora do espaço, para que novos crimes não sejam ordenados por quem já se encontra privado de liberdade. A reportagem foi feita pela ContilNet.

Contudo, por um lado, a implementação da ação contribui para a questão da segurança pública, efeitos colaterais surgiram nas proximidades do Complexo Penitenciário Francisco D’Oliveira Conde (FOC). No último domingo (6), foi relatada para a equipe da ContilNet uma situação inusitada no km 5 da BR-364, a cerca de 500 metros da unidade prisional.

Socorro Barbosa da Rocha relatou situação à equipe da ContilNet/ Foto: ContilNet

Socorro Barbosa da Rocha, de 43 anos, e Maria Barbosa da Rocha, de 66 anos, também conhecida como Dona Conceição, trabalham com a criação e venda de galinhas caipiras na propriedade familiar. As produtoras afirmaram que, desde o funcionamento dos bloqueadores, os membros da família autônoma têm vivenciado falhas nos sinais de celular.

“Existem três famílias morando nessa área de terra, e os celulares não estão funcionando. Nossas vendas sempre foram de números consideráveis, pois as pessoas podem ligar e encomendar a quantidade desejada. Agora, com esse problema, não há sinal”, explicou Socorro.

Área é localizada a 500 metros do Complexo Penitenciário Francisco D’Oliveira Conde (FOC)/ Foto: ContilNet

As vendas diárias, segundo dona Conceição, chegavam a 30 frangos, e no fim de semana, existiam épocas em que eram vendidos de 400 a 450 galinhas. Agora, estes números passaram para, respectivamente, 10 e 150. “Os clientes não conseguem entrar em contato, e isso tem nos prejudicado bastante”, disse Conceição.

Procurada pela redação da ContilNet, a assessoria da Sesp explicou que os bloqueadores realmente estão em pleno funcionamento após uma regulagem de 15 dias, mas que, até o momento, nenhum tipo de situação como o da família Rocha havia chegado ao conhecimento do órgão. Foi sugerido que, primeiro, seja feita uma verificação pela empresa de telefonia utilizada pelos membros da família para, caso o problema persista, procurar os representantes da Segurança Pública.

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