06/02/2018

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Governo tenta explicar casos de violência no Acre

Por | - 15:30


POR ADAÍLSON OLIVEIRA AGAZETA.NET


Região de fronteira e legislação: argumentos prontos
Em outros estados, às mortes entre membros de facções rivais só reduziram quando uma se sobrepôs à outra. No Acre, as organizações estão em plena guerra e o apogeu de uma sobre a outra pode demorar muito tempo. Em Rio Branco, os bairros estão divididos entre as facções e até que alguém possa tirar o poder da outra haverá muito derramamento de sangue. A cidade não para de contar os mortos.



Nesse final de semana, no bairro Novo Horizonte, por volta de 23:00hs de sexta-feira, uma camionete para e um homem atira contra as pessoas que participavam de uma festa na varanda da casa. Três jovens morrem na hora e uma quarta levou um tiro na perna. Perderam a vida: Renan Barbosa de 20 anos, Luana Aragão de 21 e Rafaela Santos de 17 anos.

A polícia tem sempre a mesma explicação para os assassinatos no Acre: guerra de facções. Quando segue esse viés existe uma facilidade para a secretaria de Segurança, o inquérito logo é fechado por falta de provas, e, raramente, os executores são presos.

O pai de Luana Aragão, Juscelino de Souza, chora a morte da filha e se revolta com a polícia que lança a imagem de que a jovem pertencia a uma facção. “Minha filha não pertencia a grupos criminosos. Ela trabalhava comigo, estava sempre com a gente, só que estava no local errado na hora errada”, alegou.

A polícia alega que a casa pertence a uma pessoa que está presa, membro de organização criminosa. A secretaria de Estado de Segurança segue contando os mortos. Assim que concluíram o boletim de ocorrência da morte dos três jovens, outros 4 foram mortos, um pela polícia e três executados. Os crimes não param.

O secretário de Estado de Segurança Pública, Emylson Farias, disse que a guerra não foi totalmente vencida pelas facções, mas só o Governo do Acre não vai conseguir evitar o crescimento das organizações criminosas.

“Sem a intervenção da União não vamos conseguir dar um basta nessa matança. Somos um Estado vulnerável por causa das fronteiras com a Bolívia e o Peru”, justificou.

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