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terça-feira, 17 de abril de 2018

Seringueiro preso com espingarda tem fiança aumentada em 180% e pode ir para presídio


 17/04/2018 Por Assem Neto


O seringueiro Rodrigo da Silva está preso na delegacia de polícia de Jordão desde a última quinta-feira. A ordem de prisão foi dada quando ele voltava para sua casa na companhia da esposa. O casal reside numa colocação às margens do Rio Tarauacá e estava na cidade acompanhando a filha menor, internada no hospital local. A polícia enquadrou o trabalhador por porte ilegal de arma de fogo (uma espingarda usada para caçar a proteger a família) e estipulou a fiança em R$ 1 mil (sem ordem judicial). Sem considerar o padrão de vida do homem, o policial civil Edson de Souza, que diz representar o delegado, recalculou a fiança. Nesta segunda-feira, a mulher do seringueiro foi levar o dinheiro na esperança de que o marido fosse libertado. Para a sua surpresa, ela foi informada que, por ordem de uma juíza, a família deveria desembolsar R$ 2,8 mil – aumento de 180% em menos de quatro dias.



A população do município se revoltou, mas não houve protestos formais diante do caso, principalmente por que o seringueiro, apesar da pouca idade, é pai de duas meninas, não faz ingestão de bebida alcóolica e também sustenta a família com a agricultura de subsistência. A mulher do seringueiro, no desespero, passou a pedir ajuda no comércio local e de casa em casa. O policial deu prazo até a próxima quinta-feira para o pagamento da fiança, caso contrário o seringueiro será transferido para o presídio de Tarauacá. Comovido, o servidor público Ozenildo de Oliveira, o conhecido “Barrote”, pediu ajuda á imprensa. A legislação em vigor permite a concessão do porte de arma para maiores de 25 anos.

A presidente da CUT no Acre, Rosana nascimento, criticou a ausência do Sindicato dos trabalhadores Riurais de Jordão (STR) para fazer a defesa do seringueiro. Rosana explica que em situações como esta o STR precisa emitir declaração de que o rapaz é agricultor familiar. Além disso, é necessário juntar o documento da terra e constituir advogado. Tudo fica mais difícil em regiões remotas. Jordão não tem defensor, nem delegado. A família de Rodrigo vai precisar ir até Tarauacá, do contrário o rapaz pode até ir para o presídio após ser indiciado por um crime que não teve a intenção de cometer.

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