A entrada da DIGI no mercado português abanou o setor das telecomunicações, forçando as operadoras tradicionais a ajustarem os preços para tentarem segurar a sua base de clientes. No meu caso, a transição da internet fixa para a nova operadora romena revelou-se uma aposta ganha, mas a rede móvel exigiu uma reflexão mais cautelosa. Até ao final do ano passado, estava fidelizado a um tarifário Yorn que rondava os 16 euros mensais por 60 GB de dados. A intenção inicial era migrar totalmente os meus serviços, contudo, as falhas de rede reportadas por vários utilizadores da DIGI deixaram-me bastante reticente.
O peso da cobertura e a transição para a Amigo Residir na área metropolitana de Lisboa e depender diariamente do metro pesou fortemente na decisão. A infraestrutura subterrânea atual ainda não permite o acesso à rede da nova operadora, o que acabou por reduzir as minhas opções à Amigo, Woo e Uzo. A escolha recaiu sobre a Amigo por uma simples questão de conveniência, pois sabia de antemão que a rede móvel da Vodafone tem um desempenho irrepreensível nas zonas por onde circulo, garantindo inclusive cobertura 5G na maioria dos trajetos. Aproveitei o momento exato em que a marca lançou a campanha do tarifário base com 100 GB por apenas 5 euros mensais e avancei com o pedido.
Limitações técnicas e a roleta da portabilidade Todo o processo logístico foi despachado rapidamente. O novo cartão chegou a casa ao fim de três dias e a desativação do meu número original demorou apenas um par de dias após o envio da documentação. O serviço tem correspondido às expectativas, mantendo o acesso fluido ao 5G que já experienciava na Vodafone, embora existam contrapartidas técnicas inerentes a este modelo de baixo custo.
A operadora impõe um teto máximo de velocidade a rondar os 150 Mbps de download e 50 Mbps de upload, valores que se mantêm mesmo quando estamos ligados à rede de quinta geração. Para o meu perfil de utilização diária, este limite passa despercebido, mas é um detalhe técnico relevante. Ficam também de fora opções como o VoWIFI, que melhoraria as chamadas através de redes sem fios, e a possibilidade de utilizar um formato eSIM. Já o VoLTE, essencial para chamadas de voz com qualidade superior em 4G, não vem ativo por defeito e exige um pedido expresso ao suporte. Tive a sorte de ter uma portabilidade limpa, vindo diretamente da empresa-mãe, algo que não se verificou com pessoas próximas que aderiram na mesma altura e acabaram a lidar com atrasos constantes e moradas trocadas.
A aposta corporativa na cibersegurança Enquanto no mercado de consumo a estratégia passa por defender o território ao cêntimo com marcas alternativas, o segmento empresarial da operadora foca-se na alta tecnologia. A Vodafone Business anunciou uma parceria de peso com a Google Cloud para disponibilizar um serviço de Deteção e Resposta Gerenciada (MDR) totalmente impulsionado por inteligência artificial. Esta solução corporativa cruza a análise de segurança global e a inteligência de ameaças da Google com a vasta experiência da Vodafone no mercado das pequenas e médias empresas europeias. O objetivo é criar uma barreira capaz de identificar e neutralizar ciberataques em tempo real. O arranque do serviço está agendado para a Alemanha, de forma a respeitar as rigorosas exigências locais de proteção de dados, estando a expansão para o resto da Europa prevista para o decorrer deste ano.
O futuro automatizado dos negócios Paralelamente a esta blindagem digital, a empresa revelou o Vodafone Business AI Concierge. Construído sobre a plataforma Gemini Enterprise Agent da Google, este é o primeiro de uma nova geração de assistentes virtuais autónomos. O sistema tira partido da rede de baixa latência da operadora para interagir de forma perfeitamente natural com os clientes através de voz e texto, conseguindo esclarecer dúvidas complexas e gerir marcações de forma independente.
Disponível inicialmente na Alemanha e na Grécia, a tecnologia pretende libertar os empresários das tarefas administrativas mais repetitivas. Garante-se assim que nenhuma oportunidade de negócio se perde, mesmo fora do horário normal de expediente. Todos estes desenvolvimentos são apenas os primeiros frutos práticos do acordo estratégico de mil milhões de dólares assinado a dez anos entre as duas gigantes tecnológicas em outubro de 2024. O foco desta aliança a longo prazo é claro: fundir a enorme presença europeia e africana da rede de telecomunicações com a supremacia da Google nas áreas da IA e da segurança na nuvem.