Num mercado saturado onde os smartphones parecem cada vez mais um prolongamento da nossa própria mão, a procura pelo equipamento ideal não é pêra doce. Todos os anos somos bombardeados com dezenas de modelos novos e promessas de revoluções tecnológicas incontornáveis. É exatamente no meio deste ruído ensurdecedor que o Honor 90 dá um passo em frente, tentando afirmar-se como um verdadeiro oásis na sempre competitiva gama-média.
Mas sejamos sinceros: as tabelas de especificações, por mais recheadas que estejam, nunca contam a história toda. O que dita realmente se um telemóvel vale o nosso dinheiro é o “feeling” de o ter na mão, a fluidez do software quando estamos a saltar entre aplicações e a fiabilidade da câmara no dia a dia.
Tirar o Honor 90 da caixa é, desde logo, uma experiência curiosa. O tom Prateado Diamante reflete a luz com um brilho que atesta o cuidado inegável que a marca teve com a engenharia e o design do aparelho. Contudo, há um detalhe logo ali que faz muita gente torcer o nariz: a ausência do carregador. É a já habitual justificação da sustentabilidade e da redução de lixo eletrónico, embora todos saibamos que é também uma forma conveniente de cortar custos. Na caixa, sobra-nos apenas um cabo USB-C robusto e o pino para ejetar o cartão SIM. Para quem não tem um adaptador compatível por casa, é capaz de ser uma dor de cabeça.
Debaixo do capô, no entanto, a coisa fia mais fino. O ecrã OLED de 6,7 polegadas, com uma resolução de 2664 por 1200 píxeis e a fluidez dos 120Hz, é uma autêntica maravilha para consumir conteúdo. A máquina é alimentada pela versão acelerada do Snapdragon 7 Gen 1, suportada por uns generosos 12GB de RAM e 512GB de armazenamento interno. O sensor principal de 200MP entrega resultados bastante sólidos, e a bateria de 5000 mAh, com carregamento a 66W, garante um dia inteiro de uso sem grandes suores frios. Há falhas, naturalmente. A falta de altifalantes estéreo tira alguma imersão ao consumo de multimédia, e aquele bloatware aborrecido pré-instalado na interface podia perfeitamente ter ficado na gaveta. Ainda assim, o balanço é muito positivo.
E quando pensávamos que a marca se ia sentar à sombra da bananeira a colher os frutos deste gama-média, a realidade mostra-nos que o ritmo na Ásia é outro. Enquanto o Honor 90 se vai afirmando, a gigante chinesa já tem os olhos postos num futuro muito próximo, preparando-se para abanar novamente o mercado no dia 25 de maio.
A Besta que se Avizinha: A Série Honor 600
É nesta data que o mercado doméstico chinês vai receber a nova série Honor 600. E se as especificações do Honor 90 já mostravam a ambição da marca, esta nova fornada parece querer mudar as regras do jogo, introduzindo funcionalidades exclusivas que deixam as versões globais a comer pó.
O grande destaque vai direto para a autonomia. A versão chinesa da série 600 vai integrar uma célula “Qinghai Lake” de uns absurdos 8600mAh. Enquanto o mercado global se vai ter de contentar com uma capacidade de 7000mAh — que já de si é um número de respeito —, os modelos domésticos vão ser autênticos monstros de bateria, desenhados para aguentar o que der e vier.
A componente fotográfica também não foi deixada ao acaso. A Honor puxou dos galões e vai estrear uma câmara “flash mirrorless” 4K dinâmica, focada no que chamam de LIVE MODE. A ideia é elevar a captação de movimento e a fotografia móvel para lá daquilo que o mero hardware sugere, com o mote da campanha a prometer fazer “cada momento brilhar”. Junte-se a isto o design intrigante da misteriosa “Star Edition”, que apresenta um padrão estrelado na traseira do equipamento, e a presença do embaixador Xiao Zhan a dar a cara pelo lançamento, e temos a receita para um evento de peso.
As pré-reservas já fervilham nas plataformas habituais do outro lado do mundo, como o JD.com, TMall, Honor Mall e até no TikTok, com direito a caixas de oferta especiais e entregas prioritárias para os mais apressados. Resta-nos observar de longe e tentar perceber como este fosso entre os equipamentos sensatos que chegam à Europa e as supermáquinas lançadas na China vai moldar o futuro da marca. A tecnologia avança sem pedir licença a ninguém.