A instabilidade nos mercados internacionais de energia continua a ditar o ritmo das economias globais, com reflexos que vão desde a bomba de combustível em Portugal até medidas drásticas de racionamento no Sudeste Asiático. Enquanto os condutores portugueses enfrentam uma nova atualização de preços já na próxima segunda-feira, várias nações asiáticas tentam desesperadamente mitigar o impacto de uma crise de abastecimento sem precedentes, exacerbada pelos conflitos no Médio Oriente.
Ligeiro agravamento no gasóleo em Portugal
A partir da próxima semana, os consumidores portugueses terão de contar com uma subida no custo do gasóleo. Segundo as previsões avançadas pelo Automóvel Club de Portugal (ACP), com base em fontes do setor, o preço do gasóleo simples deverá aumentar meio cêntimo por litro. Em contrapartida, a gasolina simples 95 não deverá sofrer alterações, mantendo o valor praticado nos últimos dias.
A confirmarem-se estas estimativas, o preço médio do gasóleo fixar-se-á nos 1,579 euros por litro, ao passo que a gasolina se manterá nos 1,664 euros. Estes cálculos do ACP têm em conta a flutuação do barril de Brent — que esta sexta-feira rondava os 67 dólares — e a manutenção das medidas fiscais em vigor, embora o Governo já tenha iniciado a reversão progressiva dos descontos no ISP e da compensação do IVA.
O cenário crítico no Sudeste Asiático
Se na Europa a flutuação é medida em cêntimos, no Sudeste Asiático a situação assumiu contornos de emergência nacional. Países como a Tailândia, as Filipinas e o Vietname, fortemente dependentes das importações de petróleo do Médio Oriente, correm contra o tempo para evitar o colapso energético. A Agência Internacional de Energia já classificou este cenário como a maior interrupção de fornecimento da história do mercado global de petróleo.
Nas Filipinas, a dependência do Golfo Pérsico atinge os 90%, o que torna o país particularmente vulnerável ao bloqueio de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz. O governo filipino já ordenou às agências públicas uma redução do consumo de eletricidade e combustível entre 10% a 20%. Em Banguecoque, na Tailândia, o apelo à poupança chegou ao ponto de os pivôs de notícias abandonarem o uso de casacos em estúdio para incentivar a redução do ar condicionado.
O impacto humano e as medidas de emergência
A crise está a asfixiar as economias domésticas de forma severa. Elmer Carrascal, um condutor de jeepney em Manila com 35 anos de profissão, relata uma realidade comum a muitos trabalhadores: o seu rendimento diário caiu para menos de metade devido ao custo do combustível. “Antes levava para casa 1.000 pesos por dia; agora mal ganho 400. Só o arroz custa 65 pesos por quilo”, lamenta.
Perante este sufoco, o Senado das Filipinas concedeu poderes de emergência ao Presidente Ferdinand Marcos Jr. para suspender ou reduzir os impostos sobre o petróleo. Marcos foi direto ao afirmar que o país é “vítima de uma guerra que não escolheu”, mas que o governo tem a obrigação de proteger os cidadãos através de subsídios diretos a motoristas e novas políticas laborais.
No Vietname e na Tailândia, a solução tem passado pela generalização do teletrabalho e pela implementação da semana de quatro dias no setor público, numa tentativa de manter as luzes acesas e a economia funcional perante um futuro energético profundamente incerto.